História Triste!

No inicio da década de 70, mais precisamente em 1973, o mundo se deparou com uma nova realidade, um assombro. A primeira crise do petróleo, trouxe um novo panorama socio-politico-economico ao planeta. Os mercados sofreram com a instabilidade dos grandes produtores, os conflitos internos nos paises arabes, grandes fornecedores, interminaveis rodadas de negociacoes na OPEP, OPAEP, e Países do Oriente Médio. Neste cenário, surge por iniciativa do Brasil, um novo rumo na história das tecnologias de combustíveis e, até então não se considerava as chamadas energias renováveis. O PROALCOOL - Programa Nacional do Álcool. Sim, é bom que se diga, que neste momento histórico, o ambiente nada influía, ou influiu, em decisões de governo, somente o receio de ter sua frota paralisada e os insumos de transporte prejudicados por uma crise que até então, atingia nosso país de maneira direta. É interessante lembrar que, na década de 70, o Brasil estava longe da atual relativa autonomia na produção petrolífera e ainda menos em suas capacidades de refino e produção de nafta, a química fina. A produção inicial de Álcool Hidratado, base cana de açúcar e posteriores variações, etanol e álcool anidro, surgiram como projeto de construção de uma matriz energética menos petróleo dependente e acima de tudo, independente de flutuações do comercio exterior, formando um complexo nacional, com apoio estatal e voltado para os interesses internos. O projeto, a princípio visto com temor e incredulidade, pelos próprios brasileiros, e até mesmo por alguns membros do governo, tomou corpo, ganhou as ruas, nos 10 anos seguintes, iniciou sua escalada no sentido de formatar a nova matriz energética do país. Em meados da década de 80, início dos anos 90, o PROÁLCOOL se tornaria mais que um programa bem sucedido, um motivo de orgulho para o Brasil como nação, e um motivo de ambição do ponto de vista de tecnologia aplicada para outros países, entre eles, Estados Unidos. Chegamos ao início do novo século, com uma matriz energética 45% livre da dependência do hidrocarboneto, e a frota nacional veicular 54% base álcool. Encurtando a história, 12 anos depois de estarmos em posição de ditar rumos e caminhos diante da comunidade internacional, o Brasil hoje tem seu investimento todo voltado para o barateamento da gasolina, a Petrobrás, 2a maior petrolífera estatal do mundo, perde setecentos e cinqüenta milhões de dólares anuais para manter o fluxo e a matriz carbono dependente, o PROÁLCOOL já não atinge seus objetivos, perdemos em tecnologia e valor agregado, nosso álcool está mais caro que o produzido nos EUA à base de milho, nossas lavouras de cana de açúcar envelheceram, não receberam incentivos, não tiveram planos de custeio compatíveis com a expectativa dos produtores e consumidores. O País deixou uma de suas melhores idéias se perder. Conclusão: Hoje temos uma matriz energética mais "suja" 23% apenas de energias chamadas renováveis, temos um mercado voltado para o consumo do combustíveis fósseis, e importamos 1,6 bilhões de litros de álcool por ano, justamente do país que se espelhou no nosso exemplo. Ficam as perguntas: O que aconteceu com o investimento público, com os impostos pagos, com o dinheiro do erário nacional que custearam o projeto, o desenvolvimento e a produção do etanol, e as vidas que se perderam nas aviltantes condições de trabalho nos canaviais de tempos idos? De fato, uma história triste!

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