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Mau Futuro!

Não faz muito tempo, algo como 8 anos (2003), estava eu em um daqueles vôos fantásticos para Wichita - KS... Um daqueles vôos que nascem em São Paulo e rodam os EUA inteiro em escalas e trocas de aeronave, até chegar ao destino. Estava já na penúltima etapa, Chicago - Denver, quando sentei-me ao lado de um tripulante americano da Delta Airlines. Começamos a conversar sobre as coisas da aviação de nossos países e em minha santíssima ignorância de então, falamos sobre períodos de jornada de trabalho, e o cansaço que tais jornadas produzem. Para minha surpresa, o jovem aviador me falou, com um tom de quase orgulho, sobre as peripércias que havia feito para estar naquele vôo, com conexão em Denver para Seatle, onde iria assumir um vôo retornando à costa leste, Nova Iorque ou algo assim, e que naquele dia, entre trabalho na cabine e vôo como tripulante extra, alcançaria a marca de espantosas 17 horas de jornada! Considerando que o dia tem 24... Internamente cai na gargalhada, (discre...

Na Praia!!!

Onde estou? Na praia!!! É aqui onde tudo se alinha, onde realizo a catarse dos meus medos. Onde espanto meus fantasmas, onde exorciso meus demônios, onde extirpo meus temores, onde deixo pedaços do eu que não quero, e recolho os que reservei para outro momento... É aqui que revejo minhas vidas, que revivo minha infância, que recordo a juventude, que percebo a maturidade, que planejo a velhice. Mas, acima de tudo, é onde recolho os pedaços que a vida insiste em quebrar. É aqui que colo os fragmentos da mente e do espírito que os dias dilaceram. Aqui, raciocino sobre as relações saudáveis e espúrias que os dias me impõe, Aqui vejo com clareza, os quês e os quems, que me desconcentram e desconcertam. Aqui estou pleno, por que me sinto pleno, de bem com a vida, e quem não está é por que não quer... O vento no rosto, o sol na pele, a areia sob os pés, o barulho das ondas, o burburinho da vida. Só e acompanhado ao mesmo tempo. Aqui me sinto em paz, aqui me sinto vivo, aqui me s...

Euforia e Justiça

Osama Bin Laden está morto! Com esta notícia, iniciamos uma nova era em nossas vidas e em nossa sociedade, mais ainda, em nossa visão e entendimento de comunidade internacional. Milhares de pessoas morreram ao longo dos últimos 50 anos em atentados terroristas violentos, muitos deles sem sentido, ou razão. A Jihad Islâmica, Hesbollá, Fatah, entre outros, são nomes que hoje significam medo e destruição, terror e ódio para muitos e em muitas partes do mundo. Mas hoje, temos motivos para comemorar. Os Estados Unidos da América, na presença de seu supremo mandatário, o homem mais poderoso do mundo, noticiou em alto e bom som, para o mundo, que a partir de agora, nosso mundo está bem mais seguro. Centenas de milhares de pessoas comemoram e festejam a morte do mais perigoso inimigo da democracia e das liberdades do mundo ocidental e da sociedade civil organizada. No entanto, a este clima de festa gostaria de adicionar dois elementos que me parecem obnubilados pela euforia e pela alegr...

Dia do Aviador

Em 23 de outubro de 1906, nosso compatriota Alberto Santos Dumont, deu início a uma saga de conquistas e criou um marco indelével na história da humanidade. Ao contrário do que apregoam os Americanos, no afã de serem os conquistadores de tudo, os irmãos Wright jamais fizeram um vôo verdadeiro. O 14 bis foi o único equipamento até então, capaz de desenvolver velocidade, sustentação, voar e pousar por meios próprios. Em homenagem ao seu grande feito, comemora-se neste dia o dia do Aviador. A pergunta é: Será que temos o que comemorar? Passados 104 anos desta conquista, devemos fazer uma reflexão sobre as atuais condições de vida e trabalho as quais estamos sujeitos, e perceber que, dos tempos de glória de Alberto Santos Dumont aos dias de hoje, a vida e o cotidiano daqueles que cruzam os céus do País e do Mundo no exercício de sua função maior na sociedade mudou e mudou muito. Sem respeito por parte dos gestores e das empresas, sem a lembrança sequer daqueles que vivem das funções i...

O Primeiro e o Último Escalões...

Ao longo destes últimos dois anos, muito se tem discutido e ouvido falar da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e dos eventos que povoaram nossos noticiários e que são de domínio amplo de todos os segmentos da sociedade civil organizada. Os diversos escalões da referida agência, estão comprometidos em suas atuações, responsabilidades e competências, em muitos casos por inoperância do sistema, engessado pelas características burocráticas que lhe são pertinentes, mas em outras circunstâncias, comprometidos pela inexperiência e por que não dizer, pela incompetência daqueles que receberam do Governo Federal a missão de reorganizar suas estruturas de funcionamento e atuação. O ilustre Ministro da Defesa Nelson Jobim, utiliza o poder a ele conferido, substituindo mandatários da citada agência ou assumindo funções que não lhe cabem, em reuniões intermináveis onde se discute muito e se resolve pouco, pois até agora as soluções que foram apresentadas em nada concorrem para o alívio das ...

Sem paixões.

Durante a vida, somos exigidos em diversos momentos. Um dos momentos mais marcantes, e também de maior nível de exigência, é o da escolha da profissão. Muitas vezes em tenra idade, somos levados a fazer opções que nos acompanharão e farão parte de nossas vidas por muitos anos e até por toda nossa existência. Muitos fatores nos levam a decidir sobre o que desejamos fazer como meio de vida e de sustento por muitos anos, mas sem dúvida, um dos mais importantes quesitos é a paixão. É muitas vezes a paixão por fazer, construir, entender, produzir que nos levam a determinadas escolhas, no mais das vezes, quando amparada por este sentimento, acaba por se demonstrar acertada. Na escolha da aviação como profissão, a paixão está sem dúvida envolvida. O amor pela carreira surge como resultado de um processo, como namoros ou casamentos, que começam via de regra com a paixão e terminam com a criação de vínculos, laços efetivos e duradouros, que mais tarde, se tornam amor, mais tranqüilo, sóbr...